quinta-feira, 20 de março de 2008

Justiça afasta interventor da VarigLog a pedido da Volo

da Folha Online - 19/03/2008 - 18h02

O juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, resolveu afastar da administração judicial da VarigLog o engenheiro José Carlos Rocha Lima, nomeado interventor no início do mês. O juiz acatou parcialmente o pedido da Volo Logistics LLC --empresa pertencente ao fundo americano Matlin Patterson, sócio da Volo do Brasil que controla a VarigLog.

O fundo entende que Rocha Lima não tinha condições de administrar a empresa uma vez que na época em que presidiu a VarigLog foi demitido sob acusações de irregularidades.

De acordo com a Justiça, a empresa também argumentou em sua ação que haveria conflito de interesses, já que Rocha Lima teria participações em empresas que atuam no mesmo ramo que a VarigLog.

No relatório de sua sentença, o juiz reproduziu a conclusão sobre a "péssima gestão e administração de Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo da Varig Logística (aquisição de vários veículos caros importados blindados, gastos absolutamente desarrazoados com consultoria jurídica e constituição suspeita de pessoa jurídica no exterior)". Os três sócios brasileiros (Audi, Haftel e Gallo) foram afastados da empresa por levá-la a um quadro pré-falimentar.

A VarigLog enfrenta sérios problemas como suspensão de serviços e arresto de aeronaves por falta de pagamento a fornecedores e prestadores de serviços. Os funcionários também estão com salários atrasados.

O representante do fundo Matlin Patterson no Brasil, Lap Chan, afirma que o fundo tem total interesse em continuar investindo na companhia, mas precisa ter garantias de que o dinheiro será corretamente aplicado a fim de fazer novos aportes que assegurem a continuidade das operações. "Os investidores estão muito apreensivos com a idéia de investir numa empresa sem a garantia de que os investimentos serão feitos de forma profissional", afirma. Um dos relatórios feitos após a intervenção apontou que os três sócios brasileiros gastaram milhões em gastos pessoais.

O juiz Magano nomeou o advogado Alfredo Luiz Kugelmas, especialista em falência, o administrador de empresas Luis Gaj e o engenheiro Oscar Spessoto para comporem uma comissão que terá como objetivo averiguar quais as condições reais da companhia atualmente. De acordo com a decisão do juiz, Rocha Lima fica até dia 28 de março. Enquanto isso, o trio fica fazendo uma espécie de auditoria na empresa.

A VarigLog não quis comentar a decisão e o interventor Rocha Lima não atendeu às ligações.


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